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Boby, o Cãozinho lá de Casa

Porque raio toda a gente chama boby ao cãozinho lá de casa?
Nunca pensei verdadeiramente nisto até que, há uns dias atrás, vi o filme Bolt duplamente em português (isto é, dobrado em português e com legendas em português), e fez-se-me alguma luz!


Logo nas cenas iniciais, numa das primeiras falas da dona do Bolt, ela exclama qualquer coisa, o que me fez ouvir "Que lindo Boby!". Ora, por esta altura li na legenda "Que lindo cachorrinho!", que de imediato me fez pensar naquilo que provavelmente iria escutar se fosse versão inglesa ("What a beautiful puppy!"). Então apercebi-me de uma certa similaridade fonética entre as palavras puppy e boby.


Repitam lá muitas vezes a palavra puppy! Se o disserem muito rápido e muitas vezes, hão-de chegar a uma altura em que a palavra que estão a proferir já mais parece boby do que puppy. Aperceberam-se disso? Curioso, não é?


A história podia muito bem ter sido esta: um dia um português lá ouviu um inglês chamar puppy a um cão, e, parecendo-lhe um nome fashion e original, mal chegou a casa, decidiu que o seu cão também se iria chamar puppy. 
Mas como não sabia como escrever, foi escrevendo o fonema boby em vez da palavra inglesa em si... 
Agora toda a gente chama boby ao cãozinho lá de casa, o que é o mesmo que chamar cachorro ao cão... Parece-me que este é um caso de se dizer sem pensar... 


*, Vou te Dizer...

Analiso, hoje, a expressão *, vou te dizer! 
Aqui, o * corresponde a qualquer expressão, que me parece, por si só, não tem qualquer importância para quem está a ouvir tal coisa, mas quando completada com aquele final, a frase ganha toda ela uma nova força!
Exemplos de expressões deste tipo são: "Estou com uma dor de cabeça, ... vou te dizer!" ou "Estou com uma preguiça, ... vou te dizer!".

Não me choca, de todo, ouvir dizer isto até porque também eu o digo! Mas que é dito sem pensar, isso é de certeza! A origem da expressão, eu não sei, mas confesso que a primeira coisa que me vem à cabeça quando penso nisso são as novelas brasileiras e a expressão: "... vou te contar...". Agora se é oriunda do Brasil ou não, isso já não sei.

Mas pensemos racionalmente: eu digo que estou com uma dor de cabeça, e depois reforço que vou dizer... mas vou dizer o quê, se o que tinha para dizer já foi dito? Fica então no ar um sentimento de curiosidade e de suspense que no fundo nunca será resolvido, pois depois de se dizer esta expressão, nada mais é dito! 
Um ouvinte mais distraído pode ainda perguntar "Vais dizer o quê?" A resposta é óbvia: "... que estou com uma dor de cabeça...", e a conversa pode prosseguir para um "ah! Mas pensei que já tinhas dito isso!"...

Já tinham pensado, alguma vez, nesta expressão? Eu pensei... e acho que é mais um resultado de se dizer sem pensar...